Anastasia Ax (1979) trabalha com desenho, escultura, performance e som – elementos que combina ou faz colidir. Desenvolveu um processo artístico que emprega forças destrutivas para criar algo novo. Cada performance, cada encontro entre a artista e o público, cada destruição do material com as suas próprias mãos, é uma situação de indeterminação e de liberdade, onde o interior e o exterior podem trocar de lugar.

“The World As Of Yesterday” opera-se em duas fases: uma performance (a 19 de abril) que dá lugar a uma instalação (acessível ao público até dia 30 de abril) no Pavilhão Branco. Na performance, a artista interage com fardos de papel reciclado, vindos diretamente de uma fábrica de reciclagem local, e tinta preta.

Compõe com estes materiais uma caligrafia visceral, criando novas histórias e significados a partir de restos da sociedade. Ao abrir os fardos, a artista depara-se com um fluxo de papel completamente rasgado mas ainda cheio de informações na sua forma mais abstracta: são revelados depoimentos da nossa vida, cópias de passaportes, documentos oficiais, desenhos infantis, jornais e panfletos publicitários, que são libertos como vulcões.

Anastasia Ax fala de paralelismos com a mandala e o seu simbolismo associado às forças naturais de construção e destruição ou do deus hindu Shiva que é, simultaneamente, associado à guerra e à fertilidade. Há um processo de circulação entre estados passados, presentes e futuros e uma reflexão sobre a forma como é construída a História, nomeadamente com o convite a arqueólogos e profissionais do restauro a registarem as “ruínas” da performance, a classificarem os vestígios e a reconstituírem elementos.

 

 

Apoios Galerias Municipais/EGEAC, Judite Maria

 

Este projeto contou com o apoio essencial de

 

Biografia

 

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