EUA/Alemanha | Vídeo-instalação | Estreia nacional

 

Inicialmente concebida para uma sala ampla e neutra da Manifesta7 em 2008, a vídeo-instalação de Meg Stuart é agora recontextualizada na Capela das Albertas, dentro do Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa. A Capela das Albertas era a Igreja do Convento de Santo Alberto, um convento carmelita, feminino, fundado no final do século XVI, e é provável que poucos se lembrem dele. O espaço tem estado fechado e está a precisar de restauro, e será reaberto exclusiva e temporariamente para esta obra de Meg Stuart.
Meg Stuart expõe-se. Um rosto humano num espaço da representação hiper-humana. O real exposto num lugar de representação. Stuart olha-nos de frente, sem artifícios, com a determinação de quem nos fala, mas o seu olhar fraqueja ao ponto de se adivinhar uma questão: somos nós que olhamos Stuart ou é Stuart quem nos olha?
Nós olhamos Meg Stuart. E, no seu rosto, não vemos apenas a simples exposição da aparência, daquilo que está na frente da cabeça ou aquilo que a envolve, ou seja, o seu rosto não é entendido no seu sentido plástico, estético ou psicológico. Ele revela a alteridade.
Meg Stuart olha-nos. E, nesse gesto, encontra-se uma imposição, dando uma ordem e pedindo clemência, tal como nos diz Emmanuel Lévinas: “o rosto do Outro recorda as obrigações do ‘eu’”. Somos levados a tomar responsabilidades sobre quem nos olha, ali, no meio da escuridão.
O rosto de Meg Stuart, entidade feminina dentro desta capela que outrora fora habitada apenas por mulheres em reclusão, traz-nos o contraponto da velocidade de uma cidade e de um corpo experiente, viajado e livre. Neste local de refúgio, de mistério e de silêncio vemos um rosto, vemos um ser humano, vemos uma mulher, vemos uma bailarina e uma coreógrafa. O rosto de Meg Stuart não está no plano da representação. Ele ocupa o espaço.


Conceito e performance
 Meg Stuart
Dramaturgia Myriam Van Imschoot
Fotografia e edição Jorge León e Aliocha Van der Avoort
Design de som Vincent Malstaf
Figurino Nina Gundlach
Manager de produção Anne Kleiner
Produção Raqs Media Collective e Damaged Goods para MANIFESTA 7

Curadoria John Romão
Apoio 
Museu Nacional de Arte Antiga / Direção Municipal do Património Cultural
Apoio à apresentação Goethe Institut Lisboa

Website da artista: www.damagedgoods.be

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