Sérvia | Instalação

 

As long as the blood stream flows, a body can be hurt by outer heat.
It, however, cannot burn or be burnt until the blood flow stops, which means the body is dead.
On the contrary, the spirit does not burn in any condition.
The spirit does not burn in any condition.
The spirit does not burn in any condition.

Marina Abramovic 

 

Marina Abramovic concebeu a instalação “Spirit House”, em 1997, para um antigo matadouro municipal nas Caldas da Rainha. Agora, 22 anos depois, a instalação é apresentada em Lisboa. “Spirit House” é constituído por cinco vídeos que dialogam entre si, nos quais vemos Marina Abramovic em diferentes performances criadas para a câmera: ‘Dissolution’, ‘Insomnia’, ‘Luminosity’, ‘Dozing Consciousness’ e ‘Lost Souls’.
Em “Spirit House” encontramos reminiscências de trabalhos anteriores da artista – vemo-la a executar várias ações, como a chicotear as suas costas até ficarem vermelhas ou a tapar a sua cara em extrema câmera lenta, numa alusão a temas recorrentes no seu trabalho, como o trauma, a memória cultural ou o conceito de testar a resistência do corpo para alcançar um estado mais elevado da consciência – mas também experiências mais surpreendentes e invulgares no léxico da autora – por exemplo, a dançar um tango árabe sozinha, numa das raras obras em que o som está presente. Há aqui indícios de gestos embrionários, como em “Luminosity”, em que assistimos à performance que a artista concebeu originalmente para vídeo e que viria a executar mais tarde, ao vivo, em museus. A revisitação da obra revela a relevância de modernidade presente no programa estético de Abramovic, num testemunho esmagador e desconcertante da dimensão visionária da sua obra que há décadas tem vindo a questionar temas e questões que hoje estão, novamente, na ordem do dia, como a solidão, a dor, a determinação espiritual, a intensificação da presença, a transcendência do corpo, o sacrifício, o feminino…
“Spirit House” refere-se à unidade inextricável de corpo e mente, num desafio constante que tem marcado o percurso artístico de uma das figuras mais célebres, marcantes e controversas da cena da arte contemporânea, protagonista da revolução do conceito de performance art.

 

Marina Abramovic, “Spirit House”
Vídeo-instalação de 5 canais, performance para vídeo, Amsterdão, 1997
© Marina Abramovic | Cortesia de Marina Abramovic Archives

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  • ECOTEMPORÂNEOS: Beatriz Batarda

    17 abril 2021
    Museu de Lisboa - Palácio Pimenta

    ECOTEMPORÂNEOS

    Ecotemporâneos é um projeto que relaciona a literatura com os espaços verdes da cidade de Lisboa. Aberta, inclusiva e acessível, em cada sessão um novo convidado escolhe um livro e liga-o ao espaço verde onde o público reúne. Conta com a presença de um intérprete de LGP.

    Convidada: Beatriz Batarda (atriz)
    Livro escolhido: "Caderno de Memórias Coloniais" de Isabela Figueiredo
    Espaço verde: Jardim do Palácio Pimenta, Museu de Lisboa (online)

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