A convite da BoCA, Gabriel Chaile cria uma nova instalação para a Praça do Carvão do MAAT – um tributo a Alcindo Monteiro, jovem português, nascido em Cabo Verde, brutalmente assassinado em 1995, num crime que expôs, e continua a expor, o racismo estrutural que encontra espaço e legitimação no país. Em torno do forno-retrato de Alcindo, prevê-se uma série de ativações coletivas, em quatro datas, com comida, debates, música e exibição de filmes. Compondo minuciosamente este momento do encontro – de lugares, tempos e identidades –, repleto de calor e pertença, Chaile coloca a sua escultura “Auto-Retrato” frente a frente com o forno “Alcindo Monteiro”, num esforço de implicar o seu corpo nesta troca de olhares e histórias, com honestidade e empatia. “E se o autobiográfico não for mais do que a história dos outros a atravessar-nos?”, pergunta Chaile.

Na última data de ativações musicais, performativas, cinematográficas e de reflexão em torno da instalação de Gabriel Chaile, colaboramos com a Lisboa Criola para um concerto de Sasha Silva, Pilmaiquén e Soraia Morais, para além do grupo Aliança Velha, composto por Rui Santos e Valter Monteiro, familiar de Alcindo.

Comissão e produção: BoCA – Biennial of Contemporary Arts
Parceria: MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia
Apoio à programação do programa público: Lisboa Criola


SASHA SILVA, PILMAIQUÉN, SORAIA MORAIS

performance com música e dança

Coisas incríveis acontecem numa união espontânea de criatividade. MUDJER MUHATU MUJER FRAU, que significa mulher em crioulo, kimbundu, espanhol e alemão, é reflexo disso mesmo: da aliança ainda por descobrir de mulheres com origens em pontos destintos do globo. Mulheres que se encontram num espaço e tempo de afetividade e suporte. De partilha e crescimento. De cura e celebração. Neste evento da BoCA, em parceria com a Lisboa Criola, três artistas juntam-se para tentar respostas à pergunta de Gabriel Chaile: “E se o autobiográfico não for mais do que a história dos outros a atravessar-nos?”. Sasha Silva, Pilmaiquén e Soraia Morais dedicam esta partilha aos temas da resiliência, do luto e da força na coesão.

SASHA SILVA
Sasha Silva tem um gosto especial pela música pop, afro e folk, caminhos pelos quais faz seguir a sua criatividade. Através da música, expressa aquilo que ela é e gostaria de ser, sem pôr de lado as suas raízes moçambicanas.

PILMAIQUÉN
A vocalista austríaca-argentina, multi-instrumentista e dançarina de seu nome PILMAIQUÉN formou-se na Universidade de Dança Experimental e Contemporânea – SEAD, de renome internacional, em Salzburgo, Áustria, em 2013, e desde então tem trabalhado em palco como intérprete de música e dança com Ann Yee (US), Julian Crouch (UK), Claire Léfèvre (FR/AT), Evandro Pedroni (BRA/AT), Mzamo Nondlwana (SA/AT), Nayana Bhat (IN/AT) e mais. Gravou o seu primeiro álbum com o seu primeiro projeto musical “Nigrita & The Mellowbeats” (2012), seguido de vários projectos autoiniciados: “CIRCUS VOYAGE” (2015), “FOUR SPELLS” (2017) e outro álbum OUT OF THE BLUE (2019).
Como artista reconhecida pelo governo da Áustria, recebeu vários apoios para realizar projetos transdisciplinares, incluindo a bolsa de estudo AIRStip da cidade de Salzburgo, que ajudou a realizar colaborações internacionais e também deu o impulso para estabelecer a sua segunda base em Lisboa, Portugal, onde está atualmente a trabalhar com uma equipa de câmaras subaquáticas em criações de vídeo para os seus próximos lançamentos de singles. A força e inspiração da artista PILMAIQUÉN é encontrada na sua identidade multicultural e como ela aspira numa identidade “sem fronteiras”.

SORAIA MORAIS
Soraia Morais deu os seus primeiros passos no mundo da música a cantar refrões para o álbum de um MC de Leiria, cidade onde nasceu, e integrando bandas de arraial e música africana. Em 2014, lançou o primeiro de vários temas originais (“Se for amor”) e, dois anos depois, integrou o projeto Sons Lusófonos, só com guitarra e voz, a que se seguiu On Groove, no mesmo formato. Em 2022, alcançou o Top 8 no concurso The Voice Portugal. “Ao longo da minha e caminhada musical conheci e trabalho com músicos da várias culturas que me deram a conhecer outros ritmos e sonoridades, como tal absorvo tudo isso para a minha arte, através do canto e também um pouco na dança. Com várias influências culturais, dos meus ascendentes e das pessoas que me rodeiam, surgiu um estilo híbrido que reflito na minha arte musical.”

 

ALIANÇA VELHA
O grupo Aliança Velha é formado por Rui Santos e Valter Monteiro. Conheceram-se em 2017, enquanto ambos eram marinheiros na Marinha de Guerra Portuguesa. Foi numa missão à África que descobriram que partilhavam a mesma paixão: a música e, sobretudo, o canto.
Em 2020, durante a pandemia, começaram a escrever letras para possíveis temas originais, e mais tarde gravaram o seu primeiro single “Nha mãe”, juntamente com um grande amigo e artista, Lau God Dog. Trabalham, ainda, com covers, fazendo arranjos de música portuguesa e música cabo-verdiana.
Em 2021, a dupla participou do The Voice Portugal, chegando às galas finais do programa.

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