Polónia/França | Espetáculo

 

Loïe Fuller (1862-1928) foi uma artista de performance antes mesmo do termo ter sido inventado: inovadora e impossível de categorizar. Ficou reconhecido através dos seus solos, em que girava em círculos, colocando metros de tecido de seda em volta do seu corpo. Ela encaixa-se no movimento art nouveau, mas também se divertia a dançar em casa, na sala Folies Bergère, em Paris. Por ser a primeira pessoa a fazer uso da luz elétrica e a posicionar o movimento fora do corpo, ela foi uma força inovadora nos mundos da dança e do teatro. Colaborou com figuras como Auguste Rodin e os Irmãos Lumière.

Nesta peça para três intérpretes femininas, Ola Maciejewska inspira-se na “Dança Serpentina” de Fuller. Ola explora a relação nas artes entre seres humanos e matéria física, criando movimento em grandes pedaços de tecido. Ela brinca com a confluência de corpos e objetos e a batalha que estes empreendem. “Bombyx Mori” alude ao bicho de seda, que se tornou inteiramente dependente dos seres humanos para sobreviver. Aqui, o corpo natural e o processo artificial estão inextricavelmente ligados: uma metáfora pungente para uma interpretação escultural, explorando a relação entre o corpo e o artefato, de forma alucinada e em constante vertigem, onde é revelada a natureza híbrida das coisas.

Cascatas de tecido preto ondulam pelo palco, formando redemoinhos de curta duração, asas e criaturas míticas que desfilam exuberantemente à frente dos nossos olhos, numa constante metamorfose das imagens. Ola Maciejewsa, artista polaca apresentada pela primeira vez em Lisboa, revela em “Bombyx Mori” uma hibridez sublime entre corpo e objeto, entre atividade e passividade, entre humanos e não-humanos.

 

Concepção Ola Maciejewska
Desenvolvimento e interpretação Amaranta Velarde Gonzalez, Maciek Sado, Ola Maciejewska
Criação sonora Alberto Novello
Criação de luz e direção técnica Rima Ben Brahim
Criação de figurino Valentine Solé
Produção Élodie Perrin
Agradecimento ao Thomas Laigle pela ajuda da concepção sonora e de luz
Apoio Hermès Foundation, no contexto do programa New Settings
Co-produção Ménagerie de verre – Paris (FR), LE CN D un centre d’art pour la danse (FR), Productiehuis Rotterdam (NL), Veem House for Performance (NL), Centre chorégraphique national de Caen en Normandie no contexto do programa «Artiste associé» | com o gentil apoio de Vivarium Studio, Nanterre-Amandiers – Centre Dramatique National
Agradecimentos ICK Amsterdam, Judith Schoneveld, Nienke Scholts

Apoios à apresentação
Embaixada de França em Portugal / Instituto Francês
Embaixada da Polónia

Ola Maciejewska dirige um workshop de curta duração a 11 ABR, na mala voadora (Porto), no contexto da BoCA.

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    Convidada: Beatriz Batarda (atriz)
    Livro escolhido: "Caderno de Memórias Coloniais" de Isabela Figueiredo
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